domingo, 30 de outubro de 2011
terça-feira, 21 de junho de 2011
Alface brava com 1,93cm
Continuam os nossos estudos sobre a flora do Poceirão.
Desta vez destacamos a Lactuca serriola.
Desta vez destacamos a Lactuca serriola.
A Lactuca serriola é uma espécie relativamente comum em Portugal e é a espécie brava mais próxima da alface (Lactuca sativa). A sua aparência é muito diferente da forma tradicional da alface no entanto, há registos de que também pode ser consumida apesar de ter um sabor ligeiramente mais amarga que a alface.
Existem vários nomes comuns para a mesma planta:- Alface-brava; Alface-brava-áspera; Alface-brava-menor; Alface-brava-pequena; Alface-silvestre; Leituga.
Segundo a literatura é frequente ser encontrada em zonas perturbadas, baldios ou até junto a caminhos de terra batida, no entanto, não encontrámos algum tipo de padrão, pois na zona do Poceirão foi encontrada em locais com características tão diversas como em caminhos estreitos, no meio de pinheiros, junto a sobreiros e até ao lado de entulho.
Segundo a literatura é frequente ser encontrada em zonas perturbadas, baldios ou até junto a caminhos de terra batida, no entanto, não encontrámos algum tipo de padrão, pois na zona do Poceirão foi encontrada em locais com características tão diversas como em caminhos estreitos, no meio de pinheiros, junto a sobreiros e até ao lado de entulho.
Segundo a “Nova Flora de Portugal, Volume II, página 521” esta planta pode apresentar um caule até 180cm, curiosamente um dos exemplares que se encontrou apresentava uns impressionantes 193cm. A referida planta está representada nas várias fotos deste artigo.


Contrariando os registos do Jardim botânico da UTAD que indicam que esta espécie não deveria ser encontrada na zona do Poceirão, verificámos que até é bastante frequente podendo ser encontrados vários exemplares espalhadas pelo percurso seleccionado para os nossos estudos faunísticos.
Esta planta apresenta algumas características curiosas como a presença dos pêlos ao longo das folhas e se aplicarmos pequenos golpes ao longo do caule esta liberta látex.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Daphnia
No âmbito das nossas colheitas identificámos Dáfnias (Daphnias).
Esta espécie é um crustáceo da ordem Cladocera que vulgarmente é chamada de pulga de água.
A designação de pulga de água deve-se ao movimento do par de antenas que permitem a locomoção no meio aquoso de forma que se assemelham ao saltar das pulgas terrestres.


São de pequenas dimensões que podem variar entre 0,2 e 5,0 milímetros, habitam em meios aquáticos desde charcos a rios e alimentam-se essencialmente de plâncton, podendo ingerir microorganismos tais como protistas e bactérias, mas também matéria orgânica particulada e dissolvida no meio. Nas nossas colheitas foram identificadas em praticamente todos os charcos, no entanto, houve nitidamente um bloom num curto período de tempo em que dominaram em número. Essa proliferação desapareceu pouco tempo depois não se sabendo a sua causa.
Uma particularidade da espécie é a sua reprodução que pode ser curiosa... Durante a maior parte do ano, as dáfnias reproduzem-se por partenogénese (forma assexuada de reprodução). Nesta altura a população é composta maioritariamente ou exclusivamente por fêmeas. Quando as condições ambientais tornam-se desfavoráveis (por exemplo, falta de alimento, ou seca do meio aquático), passam a reproduzir-se sexuadamente; parte dos ovos que se estavam a desenvolver dão origem a dáfnias machos, que utilizam as primeiras antenas e ganchos do primeiro par de patas para agarrar a fêmea. A partir da fecundação, formam-se ovos de resistência que permanecem dormentes até que se reunam as condições necessárias para se desenvolverem. Segundo algumas estimativas, acredita-se que estes ovos de resistência possam resistir uns impressionantes vinte anos.
A esperança de vida de uma dáfnia é variável... Depende maioritariamente da temperatura do meio envolvente. Ensaios de laboratório indicam que um indivíduo pode sobreviver 108 dias a temperaturas de 3ºC ou sobreviver apenas 29 dias a temperaturas de 28°C.
A designação de pulga de água deve-se ao movimento do par de antenas que permitem a locomoção no meio aquoso de forma que se assemelham ao saltar das pulgas terrestres.


São de pequenas dimensões que podem variar entre 0,2 e 5,0 milímetros, habitam em meios aquáticos desde charcos a rios e alimentam-se essencialmente de plâncton, podendo ingerir microorganismos tais como protistas e bactérias, mas também matéria orgânica particulada e dissolvida no meio. Nas nossas colheitas foram identificadas em praticamente todos os charcos, no entanto, houve nitidamente um bloom num curto período de tempo em que dominaram em número. Essa proliferação desapareceu pouco tempo depois não se sabendo a sua causa.
Uma particularidade da espécie é a sua reprodução que pode ser curiosa... Durante a maior parte do ano, as dáfnias reproduzem-se por partenogénese (forma assexuada de reprodução). Nesta altura a população é composta maioritariamente ou exclusivamente por fêmeas. Quando as condições ambientais tornam-se desfavoráveis (por exemplo, falta de alimento, ou seca do meio aquático), passam a reproduzir-se sexuadamente; parte dos ovos que se estavam a desenvolver dão origem a dáfnias machos, que utilizam as primeiras antenas e ganchos do primeiro par de patas para agarrar a fêmea. A partir da fecundação, formam-se ovos de resistência que permanecem dormentes até que se reunam as condições necessárias para se desenvolverem. Segundo algumas estimativas, acredita-se que estes ovos de resistência possam resistir uns impressionantes vinte anos.
A esperança de vida de uma dáfnia é variável... Depende maioritariamente da temperatura do meio envolvente. Ensaios de laboratório indicam que um indivíduo pode sobreviver 108 dias a temperaturas de 3ºC ou sobreviver apenas 29 dias a temperaturas de 28°C.
A dáfnia é um crustáceo de pequenas dimensões mas apresenta características muito curiosas que nos deixam deveras curiosos e com vontade de os estudar mais aprofundadamente em colheitas futuras.
sábado, 18 de junho de 2011
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Sons do Poceirão à noite- Rana perezi
O Poceirão é uma zona muito plana em que as habitações estão assentes em terrenos que anteriormente foram charcos temporários. Por isso, a proximidade dos actuais charcos é evidente e é normal estar no meio da povoação à noite e conseguimos ouvir o coachar das rãs.
Neste caso o mais comum é ouvir o coachar da Rana perezi.
Neste vídeo podemos observar várias imagens da rã verde. Esta pode variar ligeiramente de coloração desde o verde claro ao castanho.
No seguinte video podemos observar o comportamento territorial da Rana perezi e ouvir como é o seu coachar característico.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Espécies exóticas, invasoras, introduzidas no Poceirão...
Ao se ouvir falar de espécies invasoras nem sempre ficamos com a ideia correcta. Quem sabe por influência de Orson Welles com a "Guerra dos mundos"...


Uma espécie é considerada reintroduzida quando esta é intencionalmente libertada numa região em que ocorria naturalmente, mas na qual se extinguiu ou se encontrava localmente ameaçada. Ao longo das nossas pesquisas sobre o Poceirão não obtivemos quais quer indícios de que tal tenha ocorrido no passado, mas com o desenrrolar das alterações climáticas e essencialmente pela influência humana, pode ser que tal seja necessário equacionar no futuro. Um forte candidato para uma reintrodução poderá ser a planta Elatine brochonii que se situa em terrenos destinados à construção, pelo que se encontra em risco. A longo prazo poderemos ter a salamandra-de-costelas-salientes ameaçada pela invasora Lagostim-de-água-doce sua competidora.
No caso específico do lagostim, não sabemos se esta já pode ser considerada de naturalizado na zona ou não. Para serem consideradas espécies naturalizadas geralmente são espécies que têm a capacidade de se reproduzir com sucesso e sem intervenção humana no novo ambiente. No entanto têm de existir registos da sua presença na zona envolvente há pelo menos 10 anos, facto que não conseguimos comprovar.
É necessário muito cuidado com a introdução de espécies em zonas novas. Facilmente se pode entrar em descontrolo. Ao longo da nossa saída de campo orientada para a Botânica, observámos várias espécies de "cultivadas" que não fazem parte da flora Mediterrânica, no entanto pareciam longe de se poderem tornar pragas. Um caso de indrodução com sucesso na zona do Poceirão foi o do eucalipto. Segundo relatos populares, o Poceirão foi uma das primeiras zonas do país em que a introdução do eucalipto se processou com exemplares directamente da Austrália. Esta planta devido ao seu valor económico é explorada de forma consciente pela população.
Exóticas, naturalizadas, invasoras, introduzidas, reintroduzidas, nativas, indígenas, pragas… São tudo termos essencialmente associados ao mundo vegetal mas que também podem explicar o caso anteriormente descrito do Lagostim-de-água-doce que é uma espécie invasora.


O termo nativa ou indígena refere-se a espécies que evoluiram numa determinada região durante um longo período de tempo (pelo menos 10 anos no caso de animais, para plantas poderá ser superior).
Em oposição temos as designações, exótica, não nativa, introduzida... que se referem a espécies que são libertadas numa zona diferente da sua região de origem.
Em oposição temos as designações, exótica, não nativa, introduzida... que se referem a espécies que são libertadas numa zona diferente da sua região de origem.
A espécie invasora já tem uma designação ligeiramente diferente. Refere-se a espécies naturalizadas com elevada taxa de reprodução e que é capaz de colonizar áreas afastadas da zona inicial de introdução. Estas espécies têm a capacidade de alterar teias alimentares pelo que poderão perturbar o natural equilíbrio dos ecossistemas. A partir do momento em que a presença de uma espécie causa dano ao homem (agrucultura, saúde publica,...), esta passa a designar-se por praga.
Uma espécie é considerada reintroduzida quando esta é intencionalmente libertada numa região em que ocorria naturalmente, mas na qual se extinguiu ou se encontrava localmente ameaçada. Ao longo das nossas pesquisas sobre o Poceirão não obtivemos quais quer indícios de que tal tenha ocorrido no passado, mas com o desenrrolar das alterações climáticas e essencialmente pela influência humana, pode ser que tal seja necessário equacionar no futuro. Um forte candidato para uma reintrodução poderá ser a planta Elatine brochonii que se situa em terrenos destinados à construção, pelo que se encontra em risco. A longo prazo poderemos ter a salamandra-de-costelas-salientes ameaçada pela invasora Lagostim-de-água-doce sua competidora.
No caso específico do lagostim, não sabemos se esta já pode ser considerada de naturalizado na zona ou não. Para serem consideradas espécies naturalizadas geralmente são espécies que têm a capacidade de se reproduzir com sucesso e sem intervenção humana no novo ambiente. No entanto têm de existir registos da sua presença na zona envolvente há pelo menos 10 anos, facto que não conseguimos comprovar.
Ao longo das nossas colheitas nos charcos no início da época de chuvas, deparámo-nos com uma espécie invasora e nativa. A dafnia é uma espécie nativa com crescimento demográfico não controlado num curto período de tempo (devido ao seu curto ciclo de vida). Quando apareceu formou um bloom que dominou em número as populações dos charcos mas que rapidamente desapareceu devido a fenómenos que não pudemos acompanhar. Este bloom ocorreu provavelmente devido à acção humana (adubos, pesticidas, ou incremento de matéria orgânica nos solos, …) que cria condições momentâneas para a sua proliferação.
Alguns cientistas consideram que as espécies invasoras são actualmente um dos principais factores de perda de biodiversidade no planeta pelo que seria benéfico monitorizar as espécies invasoras no Poceirão para melhor compreender a sua influência no meio ambiente.
É necessário muito cuidado com a introdução de espécies em zonas novas. Facilmente se pode entrar em descontrolo. Ao longo da nossa saída de campo orientada para a Botânica, observámos várias espécies de "cultivadas" que não fazem parte da flora Mediterrânica, no entanto pareciam longe de se poderem tornar pragas. Um caso de indrodução com sucesso na zona do Poceirão foi o do eucalipto. Segundo relatos populares, o Poceirão foi uma das primeiras zonas do país em que a introdução do eucalipto se processou com exemplares directamente da Austrália. Esta planta devido ao seu valor económico é explorada de forma consciente pela população.
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